Início / Blog / Doenças Tratáveis / Cannabis medicinal no tratamento de epilepsia refratária: guia completo
Conteúdo
Conteúdo
A epilepsia refratária desafia diariamente pacientes, familiares e profissionais de saúde, sendo considerada um dos quadros neurológicos mais complexos e impactantes na prática clínica. Com a evolução das pesquisas científicas, a cannabis medicinal, especialmente o canabidiol (CBD), tornou-se uma alternativa terapêutica promissora para quem convive com crises epilépticas de difícil controle.
Este guia oferece uma visão detalhada sobre o papel da cannabis medicinal no tratamento da epilepsia refratária, abordando mecanismos de ação, evidências clínicas e recomendações essenciais para pacientes e familiares. Confira mais sobre o assunto a seguir!
Epilepsia refratária é o termo utilizado quando uma pessoa apresenta crises epilépticas recorrentes, mesmo após o uso adequado de pelo menos dois medicamentos anticonvulsivantes diferentes, em doses apropriadas e administrados corretamente.
Aproximadamente 30% dos indivíduos diagnosticados com epilepsia desenvolvem a forma refratária, segundo dados epidemiológicos internacionais. Essa alta prevalência revela a magnitude do problema e seu impacto na saúde pública.¹
A condição impõe limitações importantes à qualidade de vida. Pacientes enfrentam desafios funcionais, restrições para dirigir, trabalhar ou estudar, além de risco aumentado de acidentes e lesões. O medo constante de novas crises e a imprevisibilidade dos sintomas aumentam a ansiedade e o estresse tanto do paciente quanto de seus familiares.
O controle inadequado das crises pode, em casos extremos, resultar em morte súbita, tornando o acompanhamento clínico e a busca por novas alternativas uma prioridade constante.
Convivendo com a epilepsia refratária, o paciente e sua família precisam adaptar rotinas, modificar ambientes para reduzir riscos e lidar com incertezas em relação ao futuro. Isso reforça a importância da busca por tratamentos mais eficazes e seguros, capazes de proporcionar maior autonomia e bem-estar.

A abordagem tradicional da epilepsia baseia-se no uso de medicamentos anticonvulsivantes, que atuam na prevenção e controle das crises. No entanto, uma parcela significativa dos pacientes não alcança o controle esperado, mesmo após tentativas com diferentes fármacos e ajustes de dose.
Intervenções cirúrgicas, estimulação do nervo vago e dietas restritivas, como a cetogênica, são alternativas consideradas em casos graves, mas apresentam resultados variáveis e não estão isentas de riscos ou limitações.
Os medicamentos tradicionais podem causar efeitos indesejados, como sonolência, alterações cognitivas, fadiga, ganho de peso e instabilidade emocional. O acúmulo desses efeitos compromete a adesão ao tratamento e a qualidade de vida.
Quando todas as opções convencionais se mostram insuficientes, surge a necessidade de terapias alternativas que ofereçam melhor controle medicamentoso e menos impacto negativo ao paciente.
A refratariedade evidencia a urgência de soluções inovadoras, como a cannabis medicinal, que vem sendo investigada por seu potencial de modificar o curso da doença e ampliar as possibilidades terapêuticas.
O sistema endocanabinoide, é composto por receptores (CB1 e CB2), endocanabinoides produzidos pelo próprio organismo e enzimas responsáveis por sua degradação. Esse sistema regula funções essenciais como controle da atividade neural, equilíbrio químico cerebral, resposta imunológica e processos inflamatórios.
Na epilepsia, alterações na regulação neural e desequilíbrio do sistema endocanabinoide contribuem para o surgimento e manutenção das crises. O entendimento da base neurobiológica da epilepsia e das interações com o sistema endocanabinoide ampliou as perspectivas de desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas, como o uso direcionado do canabidiol (CBD).
Diversos ensaios clínicos, realizados em centros de referência nacionais e internacionais, demonstram que o CBD pode reduzir a frequência das crises em alguns pacientes com epilepsia refratária. O medicamento Epidiolex, à base de canabidiol purificado, foi aprovado por agências regulatórias como FDA e Anvisa para tratamento de síndromes epilépticas específicas, como Dravet e Lennox-Gastaut.²
As principais entidades de neurologia recomendam que o uso do CBD seja feito sob acompanhamento médico rigoroso, com avaliação individual dos riscos e benefícios. O perfil de segurança (safety profile) é considerado favorável, embora o monitoramento constante seja necessário para identificar possíveis efeitos adversos e ajustar a dose de forma personalizada.
O tratamento com cannabis medicinal, portanto, se baseia em evidências científicas sólidas, integrando-se ao arsenal terapêutico disponível para pacientes com epilepsia de difícil controle.
A decisão de utilizar cannabis medicinal no tratamento da epilepsia refratária deve partir da avaliação médica detalhada, considerando o histórico clínico, o padrão das crises e a resposta a tratamentos anteriores. O CBD é geralmente indicado quando as opções convencionais falharam em proporcionar o controle adequado dos sintomas.
A prescrição médica é obrigatória, sendo fundamental o ajuste individualizado da dosagem conforme resposta clínica e tolerabilidade do paciente. O monitoramento clínico, com exames laboratoriais regulares e acompanhamento multidisciplinar, garante maior segurança ao processo terapêutico.
A integração do CBD ao plano de tratamento deve considerar fatores como idade, comorbidades, uso de outros medicamentos e expectativa de resultados. A individualização é essencial para maximizar benefícios e minimizar riscos.

O acesso ao tratamento com canabidiol enfrenta barreiras de acesso, como necessidade de prescrição e registro na Anvisa, além da variação na qualidade dos extratos disponíveis no mercado. A regulamentação brasileira exige laudo médico detalhado e acompanhamento por médicos especialistas, o que pode dificultar a universalização da terapia.
A ausência de padronização completa dos produtos e a falta de acesso em algumas regiões são desafios significativos. O especialista tem papel central na análise de riscos e benefícios, indicando o tratamento apenas quando os critérios de segurança e eficácia são atendidos.
A superação dessas limitações passa pela atualização das normativas, ampliação do acesso e incentivo à pesquisa clínica nacional.
Para iniciar o tratamento com cannabis medicinal, o paciente deve procurar profissionais habilitados e serviços especializados em terapias integrativas. O processo envolve avaliação clínica detalhada, discussão das opções disponíveis e definição de metas terapêuticas claras.
É fundamental manter contato frequente com o médico, realizar exames de acompanhamento e buscar informações em fontes confiáveis. O Dispensário da Mata disponibiliza conteúdos aprofundados sobre cannabis medicinal e legislação, facilitando a tomada de decisão informada.
A participação ativa do paciente e da família, aliada ao suporte profissional, é fundamental para o sucesso do tratamento, promoção da qualidade de vida e construção de uma trajetória mais tranquila diante das doenças tratáveis com a medicina canábica. Conte conosco!
Referências:
Posts Relacionados