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O canabidiol (CBD) é uma substância derivada da planta Cannabis sativa, utilizada no Brasil principalmente para fins medicinais. O crescimento de pesquisas e relatos clínicos sobre seu potencial terapêutico tornou frequente a dúvida: quem pode prescrever canabidiol no Brasil, e quais são os critérios legais para essa prescrição?

Este guia detalha as categorias profissionais autorizadas, aborda o contexto regulatório, esclarece as diferenças entre prescrição e recomendação e apresenta o passo a passo para obtenção da receita, promovendo informação segura e orientada tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde. Continue sua leitura!

Profissionais autorizados a prescrever canabidiol no Brasil

A regulação da prescrição de canabidiol no Brasil é baseada em normativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), especialmente as RDC 327 e RDC 660. Médicos detêm a principal autorização, mas outros profissionais da saúde também podem participar do processo, cada um com responsabilidades e limites definidos por seus respectivos conselhos federais e legislação vigente.

Entre os profissionais contemplados, destacam-se médicos de diferentes especialidades, dentistas, médicos veterinários, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos. No entanto, a competência para prescrever medicamentos à base de cannabis está restrita a algumas dessas categorias, sendo fundamental compreender as especificidades de cada profissão.

1. Médico

Médicos registrados no Conselho Federal de Medicina (CFM) possuem autorização formal para prescrever medicamentos à base de canabidiol em todo o território nacional. A prescrição pode ser realizada por especialistas em neurologia, psiquiatria, clínica geral, pediatria, entre outros, sempre considerando critérios éticos e clínicos.¹

O CFM determina que a indicação do CBD seja documentada em prontuário, justificando a escolha e detalhando o quadro clínico do paciente. Para aquisição do medicamento, é indispensável a emissão de receita especial, conforme orientações da Anvisa. O médico também é responsável pelo acompanhamento do paciente durante o tratamento, monitorando eficácia e possíveis efeitos adversos.

2. Dentista

Dentistas inscritos no Conselho Federal de Odontologia (CFO) têm permissão para prescrever canabidiol quando a indicação estiver relacionada à saúde bucal. Situações como dor crônica, inflamações orais e condições resistentes a terapias convencionais podem justificar a prescrição

O profissional deve observar rigorosamente as normas do CFO e da Anvisa, assegurando que haja respaldo científico e ético para o tratamento. A receita emitida pelo dentista deve seguir os mesmos padrões exigidos para médicos, incluindo o preenchimento de documentos e orientações ao paciente sobre uso e acompanhamento.

3. Nutricionista

Os nutricionistas desempenham papel relevante no suporte a pacientes que utilizam terapias integrativas. De acordo com o Conselho Federal de Nutrição (CFN), não é permitida a prescrição direta de medicamentos à base de canabidiol por nutricionistas.

No entanto, é possível orientar pacientes sobre o uso prescrito por médicos, bem como acompanhar os efeitos alimentares e nutricionais associados ao tratamento. O acompanhamento interdisciplinar é fundamental, permitindo que o nutricionista avalie possíveis interações entre o CBD e hábitos alimentares, ajustes na dieta e suporte à saúde geral do paciente.

Toda recomendação deve estar em conformidade com as resoluções do CFN e ocorrer em ambiente colaborativo com profissionais autorizados à prescrição.

4. Fisioterapeuta

Fisioterapeutas podem atuar na orientação e monitoramento de pacientes sob tratamento com canabidiol, especialmente em quadros de dor crônica, espasticidade e neuropatias. A prescrição direta do CBD, porém, depende de aprovação do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) e encontra limitações legais.

Na prática, o fisioterapeuta acompanha a evolução funcional do paciente, identifica respostas ao tratamento com cannabis medicinal e trabalha em conjunto com médicos prescritores para garantir segurança e melhores resultados. O respeito às normas do COFFITO é essencial para evitar infrações éticas e preservar a qualidade do atendimento.

5. Médico veterinário

A prescrição de canabidiol na medicina veterinária é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). Veterinários devidamente habilitados podem prescrever CBD para animais de companhia, principalmente em casos de epilepsia refratária, dor crônica, inflamações e outras condições em que tratamentos convencionais não surtiram efeito.³

O profissional deve seguir protocolos técnicos, registrar a indicação em prontuário e orientar tutores quanto ao acompanhamento e possíveis efeitos colaterais. O cumprimento das normas do CFMV e da Anvisa, especialmente para aquisição e importação do produto, é indispensável para garantir um tratamento seguro e ético aos animais.

6. Fonoaudiólogo

Fonoaudiólogos atuam no cuidado de pacientes com distúrbios de comunicação, deglutição e linguagem. Não possuem autorização legal para prescrever medicamentos, incluindo o canabidiol. No entanto, podem integrar equipes multiprofissionais, acompanhando pacientes que utilizam CBD sob prescrição médica.

O fonoaudiólogo monitora a evolução clínica, adapta abordagens terapêuticas conforme a resposta ao tratamento e colabora para um atendimento mais abrangente e seguro, reforçando a necessidade de atuação conjunta entre diferentes especialidades da saúde.

7. Psicólogo

Psicólogos, segundo o Conselho Federal de Psicologia (CFP), não estão autorizados a prescrever medicamentos, entre eles o canabidiol. Seu papel é fundamental na identificação de quadros clínicos em que o tratamento medicamentoso pode ser benéfico, sempre recomendando avaliação médica.

O suporte psicoterapêutico contribui para a adesão ao tratamento, monitoramento de sintomas emocionais e comportamentais e integração do paciente em equipes multidisciplinares. Assim, o psicólogo atua em consonância com os profissionais prescritores, ampliando o cuidado e a segurança do paciente.

Diferenças entre recomendações e prescrição de canabidiol

No ambiente clínico, prescrição e recomendação apresentam diferenças cruciais. Apenas médicos, dentistas e veterinários possuem autorização legal para prescrever canabidiol, ou seja, emitir receitas que viabilizam a aquisição do medicamento.

Outros profissionais da saúde, como nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos, podem recomendar o acompanhamento do paciente e participar do monitoramento dos efeitos do CBD, mas não estão habilitados a prescrever. Compreender essa distinção evita erros no processo de acesso ao tratamento e reforça a importância das consultas periódicas com profissionais qualificados.⁴

Bases legais: RDC 327, RDC 660 e resoluções dos conselhos

A segurança jurídica na prescrição do canabidiol baseia-se no cumprimento das resoluções da Anvisa, em especial a RDC 327, que regula o registro, importação e comercialização de produtos à base de cannabis, e a RDC 660, que detalha processos específicos para importação.

Cada conselho profissional, como CFM, CFO, CFN e CFMV, possui normativas próprias para atuação de seus inscritos, estabelecendo critérios para prescrição, recomendação e acompanhamento. É indispensável que profissionais e pacientes acompanhem atualizações regulatórias e consultem fontes oficiais para garantir a legalidade e segurança do tratamento.

Passo a passo: veja como obter a prescrição de canabidiol

O processo para obtenção de prescrição de canabidiol no Brasil exige etapas bem definidas:

  1. Agendamento de consulta com profissional autorizado (médico ou dentista);
  2. Avaliação clínica detalhada, considerando histórico médico, quadro atual e indicação do CBD;
  3. Emissão de receita especial e, quando necessário, preenchimento de formulários exigidos pela Anvisa;
  4. Orientação ao paciente sobre formas de aquisição: farmácias autorizadas, importação ou associações de pacientes;
  5. Acompanhamento periódico por equipe multiprofissional, monitorando resultados e ajustando o tratamento conforme necessário.

Cada etapa deve ser conduzida com seriedade e transparência, assegurando que o paciente tenha acesso seguro, legal e informado ao medicamento.

A busca por informações confiáveis e a consulta regular com profissionais capacitados são os melhores caminhos para quem deseja iniciar ou já faz uso do canabidiol como parte de um tratamento médico. Em caso de dúvidas, agende uma consulta, converse com especialistas e priorize sempre a segurança do seu processo terapêutico.

Para mais informações, confira o post sobre doenças tratáveis com canabinoides e entenda quais as principais aplicações para a sua saúde!

Referências:

  1. GURGEL, H. L. C.; et al. Uso terapêutico do canabidiol: a demanda judicial no estado de Pernambuco, Brasil. Saúde e Sociedade, v. 28, n. 2, p. 1-11, 2019. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/s0104-12902019180721. Acesso em: 11 set. 2025.
  2. SILVA, I. A. R.; et al. Canabinóides na Odontologia: Uma estratégia terapêutica promissora. LUMEN ET VIRTUS, v. 1, n. 1, p. 12-25, 2024. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/index.php/LEV/article/view/347. Acesso em: 11 set. 2025.
  3. SILVA, B. C. Cannabis terapêutica na medicina veterinária: revisão de literatura. Repositório Institucional da UFS, 2025. Disponível em: https://ri.ufs.br/handle/riufs/22063. Acesso em: 11 set. 2025.
  4. KURT, B.; et al. A inserção de canabinoides como coadjuvantes para o tratamento fisioterápico em doenças neurodegenerativas. Revista Brasil Inova Saúde, v. 8, n. 3, p. 78-90, 2025. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/386. Acesso em: 11 set. 2025.
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